SEPSIS survey

Sepsis Survey – Avaliação do conhecimento médico sobre os conceitos de infecção, síndrome da resposta inflamatória sistêmica e sepse nas suas diferentes formas de apresentação clínica.

Objetivo: Avaliar a capacidade dos médicos brasileiros em reconhecer casos clínicos de infecção, síndrome de resposta inflamatória sistêmica, sepse, sepse grave e choque séptico, correlacionando-se o acerto com características demográficas e profissionais.

Métodos: Estudo multicêntrico em hospitais de diferentes perfis em diversas regiões brasileiras, abordando médicos de diferentes categorias profissionais. Aplicou-se questionário com 5 casos clínicos sobre as patologias já citadas, além de questões para caracterização do profissional. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição coordenadora. A análise estatística foi realizada com o auxílio dos programas GraphPad Prism® for Windows version 5.0 – 2007 e SPSS 15. Opackage for Windows e os resultados apresentados como índices de acerto para cada diagnóstico (%), bem como nota categorizadora e global, expressa em mediana. Foram considerados significativos se p<0.05.

Resultados: Participaram 21 hospitais brasileiros envolvendo 917 médicos, com idade média 35±8,19 anos, 68,2 do gênero masculino, sendo 18,8% médicos residentes, 75,1% não intensivistas, 24,9% intensivistas (53,5% com título de especialista) e 45,1% com atividade de pronto socorro. Dedicavam o maior tempo de trabalho em hospitais públicos, privados e universitários 24,6%, 35,5% e 39,9% respectivamente. A porcentagem de acertos das questões conforme o diagnóstico foi: 78,2% - SIRS, 92,6% - infecção, 27,3% - sepse, 56,7% - sepse grave e 81,0% - choque séptico. Os intensivistas apresentaram maior capacidade de reconhecimento em relação aos não intensivistas para todos os diagnósticos, bem como na análise global da nota (p<0.001). Os intensivistas titulados apresentaram maior capacidade de reconhecimento de sepse do que os não titulados (p=0.010) mas não houve diferença na avaliação da nota global. Não houve diferença entre médicos com e sem atividade em pronto socorro. Médicos residentes tiveram melhor desempenho global (0.012) e no acerto do diagnóstico de SIRS (p=0.001) do que os não residentes. Os índices de acerto para SIRS, sepse e sepse grave foram diferentes entre médicos com dedicação preferencial em hospitais públicos e universitários (SIRS – p<0.001, sepse – p=0.001, sepse grave – p=0.032) e hospitais públicos e privados (sepse – p=0.053, sepse grave – p=0.044). Isso também foi observado para a análise da nota global (público/universitário – p<0.001, público/privado – p=0.007). Na avaliação entre hospitais privados e universitários, os últimos tiveram melhor índice de acerto para o diagnóstico de SIRS (p=0.004) e para a nota global (p=0.039). Na analise multivariada, o fator relacionado ao acerto no diagnóstico de sepse grave foi a especialidade médica. Para sepse, a instituição de dedicação maior do tempo (privados – OR:1,486 (0,994-2,221), universitário – OR: 2,017 (1,353-3,006) em relação aos públicos) e a especialidade médica (intensivista titulado – OR:5,031 (3,440-7,358) e não titulado – OR:2,512 (1,645-3,838) em relação ao não intensivista) permaneceram correlacionadas.

Conclusão: A capacidade médica de reconhecimento de SIRS, infecção e choque séptico é satisfatória, mas inadequada no tocante a sepse e sepse grave. Médicos intensivistas, titulados ou não, conseguem melhor desempenho do que os não intensivistas. O mesmo ocorre com médicos residentes, mas não com médicos com atividade em pronto socorro. O desempenho dos médicos é crescente se ele trabalha a maior parte do tempo numa instituição pública, privada ou universitária.

Status do estudo: Concluído e publicado no Journal of Critical Care 2010 (25): 545-552.

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